Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) em seus relatórios e pronunciamentos sempre considerou que os gases do efeito estufa provenientes do desmatamento eram responsáveis por cerca de 17% a 20% de todas as emissões globais provocadas pelo homem. Essa porcentagem era baseada em monitoramentos e dados das décadas de 1980 e 1990. Agora, uma pesquisa publicada nesta semana na revista Nature Geoscience afirma que este percentual é na verdade 12%.
O resultado do estudo pode ser usado para mostrar que a redução do consumo de combustíveis fósseis segue sendo o elemento chave para controlar o aquecimento global, porém os autores afirmam que é também essencial proteger os ecossistemas ricos em carbono.
“Mesmo nossos dados estando abaixo do que era presumido, eles ainda representam uma quantidade significativa de emissões. Para cerca de 30 países, como Brasil, Indonésia e Bolívia, o desmatamento e a degradação florestal são as principais fontes de gases do efeito estufa e devem ser combatidas”, escreveram os pesquisadores, que foram liderados por Guido van der Werf da Universidade de Amsterdã e tiveram o apoio das universidades norte-americanas de Columbia e Duke.
Para chegar a sua conclusão, o grupo utilizou os mesmo métodos adotados pelo IPCC para realizar suas estimativas, mas fez uma atualização em todos os dados disponíveis antes de calcular o total de emissões do desmatamento.
“Ao invés de 20%, parece mais apropriado responsabilizar a destruição das florestas por 12% das emissões atualmente. Mas fica a ressalva de que existem grandes incertezas nas estimativas de desmatamento e degradação florestal, esse número pode ainda variar de 6% a 17%”, afirmou Van der Werf.
Copenhague
Num primeiro momento, a redução das estimativas pode parecer um empecilho para a inclusão de um mecanismo de pagamento aos países em desenvolvimento para reduzirem o desmatamento e a degradação, conhecido como REDD, no futuro acordo climático, que deve ser definido em dezembro na Dinamarca.
Porém os autores deixam claro que não é este o caso, e que as emissões do desmatamento devem ser combatidas assim como as provenientes da queima de combustíveis fósseis. Eles inclusive aconselham que seja revista a definição de “floresta” dada pela ONU e que as turfas sejam incluídas no REDD.
Segundo os cientistas a ONU falha ao não diferenciar as matas nativas das árvores comerciais. “Repor turfas por plantações de palmeiras pode não afetar a cobertura de árvores, mas acarreta na redução de biomassa e da absorção do carbono”, explicou Van der Werf ao website REDD-monitor.
Os autores recomendam ainda que o acordo pós-Quioto tenha grande foco em monitorar as emissões e o carbono das florestas, para garantir a efetividade dos programas de REDD. Uma rede de satélites pode ser necessária para mapear as emissões do desmatamento e da degradação nas turfas e florestas.
“Para prevenir os piores efeitos das mudanças climáticas nós precisamos parar de queimar combustíveis fósseis e também de destruir os ecossistemas. Não podemos escolher ou um ou outro. Os dois são necessários”, concluíram os pesquisadores.
(Envolverde/CarbonoBrasil)
